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06.02.2026 05:21 PM
O Banco da Inglaterra manteve as taxas inalteradas — mas há um porém importante
O Banco da Inglaterra fez recentemente declarações otimistas indicando que o país conseguiu controlar as pressões inflacionárias. Trata-se de uma conquista significativa, considerando o prolongado período de alta inflação que tem preocupado tanto o banco central quanto a população. No entanto, como costuma acontecer na economia, a vitória em uma batalha abre caminho para novos desafios. A crescente crise do emprego está agora no foco do regulador financeiro britânico.

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Na reunião de ontem, o Banco da Inglaterra (BoE) decidiu manter a taxa básica de juros em 3,75%. A decisão esteve longe de ser consensual, como revela a divisão no Comitê de Política Monetária (MPC): cinco membros votaram pela manutenção, enquanto quatro defenderam um corte. Esse placar apertado evidencia a ambiguidade do cenário econômico atual e a dificuldade crescente em equilibrar o controle da inflação com o suporte ao mercado de trabalho.

Por um lado, manter os juros em patamar elevado busca conter a inflação e evitar uma nova aceleração dos preços. Por outro, essa postura aumenta os riscos para o emprego, já que taxas restritivas tendem a desacelerar o crescimento econômico e reduzir a demanda por mão de obra. Assim, o BoE enfrenta um dilema clássico de política monetária: combater a inflação correndo o risco de recessão e aumento do desemprego, ou estimular a atividade e o emprego assumindo o risco de reacender pressões inflacionárias.

De acordo com as projeções mais recentes do banco central, o número de desempregados deverá crescer cerca de 110.000 pessoas em relação às estimativas de novembro, refletindo o impacto negativo das atuais políticas restritivas sobre a economia. As novas previsões indicam que 108.000 pessoas ficarão sem trabalho ainda neste ano. Paralelamente, o BoE alertou que a taxa de desemprego pode atingir 5,3% na primavera, ao mesmo tempo em que revisou para baixo sua projeção de crescimento para 2026, de 1,2% para 0,9%.

Segundo o banco, a inflação deverá cair dos atuais 3,4% para cerca de 2% até abril, permanecendo próxima da meta ao longo dos próximos três anos. Mesmo considerando dois cortes de 25 pontos-base em 2026, que reduziriam o custo do crédito para 3,25%, o BoE avalia que a inflação já estaria sob controle.

Como observou o vice-governador Dave Ramsden em coletiva na quinta-feira, a formulação da política monetária é sempre um exercício de compromisso. "Precisamos considerar a atividade econômica moderada, a situação do mercado de trabalho e a inflação. Portanto, equilibramos esses riscos", afirmou.

Já o governador Andrew Bailey rejeitou a ideia de que o desemprego seja um preço aceitável para reduzir a inflação, evitando termos que já geraram controvérsia no passado. "Quero encerrar essa discussão de forma decisiva", disse. "Não saudamos o desemprego. Nossa missão é atingir a meta de inflação." No momento, Bailey — cuja posição provavelmente será determinante para o timing do próximo corte de juros — prioriza os riscos inflacionários, embora reconheça que sua avaliação pessoal está alinhada à da equipe quanto à deterioração gradual do mercado de trabalho.

Segundo o banco, o nível natural de desemprego no Reino Unido é de 4,75%. Leituras abaixo desse patamar tendem a gerar pressão inflacionária, enquanto níveis acima indicam que a economia opera aquém do seu potencial. Isso sugere que, no início do próximo ano, as perdas de emprego podem alcançar cerca de 200.000 postos. O BoE destacou que o aumento do desemprego decorre principalmente da fraqueza nas contratações, e não de demissões em massa.

A libra esterlina reagiu de forma imediata à sinalização de possíveis cortes de juros no futuro, recuando frente ao dólar americano.

No panorama técnico do GBP/USD, os compradores precisam superar a resistência imediata em 1,3590 para abrir espaço para um movimento em direção a 1,3630, nível acima do qual o avanço tende a encontrar maior dificuldade. Um alvo mais distante está localizado na região de 1,3660.

Em caso de nova pressão vendedora, os ursos tentarão assumir o controle em 1,3545. Um rompimento consistente dessa faixa representaria um golpe relevante para as posições compradas e poderia empurrar o par para 1,3510, com possibilidade de extensão até 1,3480.

Jakub Novak,
Analytical expert of InstaTrade
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