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A expectativa geral é que o Banco Central Europeu mantenha hoje as taxas de juros nos níveis atuais. Essa decisão será tomada no contexto de uma avaliação cuidadosa das consequências da escalada do conflito no Oriente Médio, em particular da guerra com o Irã. O potencial choque inflacionário decorrente desse cenário é o principal fator que exige uma análise mais aprofundada por parte do banco central.
Os mercados estão observando de perto como o Banco Central Europeu responderá ao aumento da incerteza. A guerra no Irã já levou à alta dos preços de energia, o que inevitavelmente afetará a inflação na zona do euro. Nesse contexto, os bancos centrais são forçados a equilibrar a necessidade de conter a inflação com a de sustentar o crescimento econômico. Manter as taxas de juros pode ser visto como uma abordagem cautelosa, permitindo tempo para avaliar o impacto total da crise geopolítica antes de tomar decisões mais decisivas.
Nesse cenário, é provável que o Banco Central Europeu adote, por ora, uma postura de espera e observação. A principal tarefa neste momento é avaliar a duração e a intensidade da pressão inflacionária gerada pela alta dos preços de petróleo e gás. Isso será determinante para a trajetória futura da política monetária. O banco central também pode acompanhar as reações de outras grandes autoridades monetárias, como o Federal Reserve, a fim de calibrar sua abordagem.
De acordo com uma pesquisa com economistas, a taxa de depósito na zona do euro deve permanecer em 2%, nível mantido desde junho do ano passado. Embora a maioria dos economistas preveja que os custos de financiamento permaneçam nesse patamar até o final do ano, os traders apostam em pelo menos uma alta de juros no curto prazo. As hostilidades no Oriente Médio aumentam as preocupações com uma possível nova onda inflacionária, após a forte alta de preços em 2022 — um tema que está no centro da agenda dos principais bancos centrais do mundo, que se reúnem esta semana.
No entanto, o Banco Central Europeu está em uma posição mais confortável do que no início da operação militar da Rússia na Ucrânia, quando os preços do petróleo e do gás natural dispararam. Ainda assim, alguns formuladores de política já consideram a necessidade de novos aumentos de juros para conter os riscos inflacionários, enquanto outros questionam se o impacto sobre o crescimento pode ser mais severo.
As novas projeções trimestrais provavelmente não fornecerão orientações claras, já que a maior parte dos dados iniciais foi coletada antes do início dos ataques entre EUA e Israel contra o Irã. Ainda assim, análises de cenários adicionais devem ajudar a avaliar a gravidade da situação.
A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, deverá reforçar uma postura cautelosa e evitar sinais de pressa em novas decisões. Sua coletiva está prevista para ocorrer meia hora após a divulgação da decisão.
De qualquer forma, as decisões do Banco Central Europeu hoje provavelmente não darão suporte significativo a uma valorização do euro.
Quanto ao quadro técnico do EUR/USD, os compradores precisam se concentrar na recuperação do nível de 1,1490. Apenas então poderão mirar um teste de 1,1525. A partir daí, o par pode avançar até 1,1566, embora isso seja difícil sem o apoio de grandes players. O próximo alvo seria a máxima de 1,1609. Em caso de queda, esperamos que a atuação relevante de compradores institucionais na região de 1,1445. Se não houver reação nesse nível, pode ser mais prudente aguardar uma nova mínima em 1,1410 ou considerar compras a partir de 1,1380.