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À medida que os mercados asiáticos abrem no domingo à noite, espera-se que o crescimento consistente do emprego no mês passado exerça pressão sobre os preços dos metais preciosos. Dados recentes do Bureau of Labor Statistics (BLS), divulgados na sexta-feira, indicam que o número de empregos não agrícolas aumentou em 178.000 em março — bem acima da previsão, que apontava para cerca de 65.000. O relatório destaca que o crescimento do emprego ocorreu principalmente nos setores de saúde, construção, transporte e logística, enquanto o emprego no setor público federal continuou a recuar. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego caiu para 4,3%, ante 4,4% em fevereiro, contrariando a expectativa de estabilidade.
Como a negociação do ouro esteve suspensa durante o fim de semana da Páscoa, não houve reação imediata do mercado aos dados positivos do mercado de trabalho. Contudo, alguns especialistas sugerem que um relatório robusto permitirá ao Federal Reserve manter uma postura neutra de política monetária em meio ao aumento dos riscos inflacionários.
Recentemente, o ouro tem estado sob pressão devido ao conflito no Irã, que vem perturbando as cadeias de abastecimento globais, em particular no setor energético, impulsionando os preços do petróleo para acima de US$ 100 por barril. Como resultado, as preocupações com a inflação global levaram os bancos centrais a suspender temporariamente o afrouxamento monetário.
Os analistas enfatizam que o retorno do ouro ao status de ativo de refúgio só é possível com indicadores econômicos fracos que aumentem os receios de estagflação e levem os bancos centrais a considerar cortes de juros, mesmo em um contexto de pressões inflacionárias persistentes.
Além dos dados macroeconômicos fortes, o Federal Reserve recebeu outro sinal: a inflação salarial ficou abaixo do esperado. Segundo o relatório, o salário médio por hora subiu apenas 0,2% (nove centavos), para US$ 37,38, enquanto a leitura de fevereiro havia avançado 0,4%. Os economistas esperavam um crescimento mais robusto de 0,3%, o que indica uma desaceleração na dinâmica dos rendimentos. Além disso, os dados gerais de emprego foram revisados de forma mista: os números de janeiro foram ajustados para cima em 34.000 empregos (para 160.000), enquanto os de fevereiro foram revisados para baixo em 41.000 (para −133.000).
Chris Zaccarelli, diretor de investimentos da Northlight Asset Management, destacou que a maior parte dos dados de março foi compilada antes de os EUA e Israel iniciarem ações militares contra o Irã. Segundo ele, isso sugere a estabilidade da economia americana. "Em certa medida, a menor probabilidade de um corte iminente de juros pelo Fed parece lógica; ao mesmo tempo, o relatório confirma que o mercado de trabalho permanece resiliente, sustentando o consumo — principal motor do crescimento econômico atual", observou.
Do ponto de vista técnico, em relação ao dólar, apesar das previsões de Zaccarelli sobre o potencial para um corte de juros, a moeda americana ainda não dá sinais de fraqueza, conforme indicam os osciladores em território positivo. Já o ouro permanece tecnicamente sob pressão dos vendedores, com os osciladores em território negativo. No entanto, o fato de os preços não terem rompido abaixo da média móvel simples de 200 dias mantém a expectativa de que os compradores consigam superar a média de 20 dias e retomar o controle.