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Ontem, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez possivelmente sua declaração mais agressiva desde o início do conflito no Golfo Pérsico. Utilizando linguagem dura, o chefe da Casa Branca definiu uma nova data para o início de uma operação aérea em larga escala — "terça-feira, às 20h (horário do Leste)", ou seja, 7 de abril às 20h (ET). Ele também ameaçou explicitamente o Irã com a destruição de infraestrutura civil caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto até o prazo estabelecido.
Vale destacar que o prazo anterior expirou na segunda-feira — ou seja, Trump adiou seu ultimato pela terceira vez. Ao mesmo tempo em que faz ameaças, ele continua afirmando que o processo de negociação está em andamento: em entrevista à Fox News, disse que o Irã ainda negocia e que há boas chances de um acordo nos próximos dias.
É justamente por isso que os traders de EUR/USD estão cautelosos no início da nova semana de negociações. Apesar da retórica agressiva de Trump, o dólar não está sendo fortemente demandado como ativo de refúgio, especialmente diante de informações contraditórias divulgadas por importantes meios de comunicação globais.
Em particular, o Axios informa que os EUA, o Irã e vários mediadores regionais (Paquistão, Turquia e Egito) estão discutindo os termos de um cessar-fogo de 45 dias, que "poderia levar ao fim definitivo da guerra". Os mediadores propuseram um cessar-fogo em duas etapas: na primeira, "as armas se calam"; na segunda, as partes tentariam resolver questões-chave do acordo (reabertura do Estreito de Ormuz, programa de mísseis do Irã, destino do urânio altamente enriquecido, entre outros). Fontes do Axios admitem, no entanto, que as chances de alcançar um acordo parcial dentro de 48 horas (ou seja, antes do fim do ultimato de Trump) são baixas.
Ainda assim, mesmo com baixas probabilidades de trégua, os traders estão relutantes em abrir grandes posições compradas em dólar. O risco é elevado: como reconhecem participantes das negociações, esta é a última chance de evitar uma "escalada dramática da guerra", que incluiria ataques massivos à infraestrutura energética do Irã e ações de retaliação por parte de Teerã (como ataques a usinas de dessalinização e outras infraestruturas nos países do Golfo Pérsico).
No momento, a situação permanece indefinida. O equilíbrio pode pender para qualquer lado. Segundo representantes oficiais iranianos, Teerã realmente recebeu uma proposta de cessar-fogo dos EUA por meio do Paquistão. A Reuters informa que os iranianos não rejeitaram a oferta — ela está atualmente "em análise". No entanto, representantes iranianos enfatizam que não tomarão decisões sob pressão ou dentro de prazos impostos.
Em outras palavras, a incerteza persiste. Trump já adiou o prazo de seu ultimato três vezes — e, como se observa, o mercado interpretou esse comportamento como confirmação de negociações indiretas. Ao mesmo tempo, não se pode descartar que a estratégia do presidente seja ganhar tempo para preparar ataques aéreos em larga escala e possivelmente uma operação terrestre (notadamente, a tomada da ilha iraniana de Kharg).
Diante desse cenário de incerteza, qualquer decisão de trading no EUR/USD parece arriscada, especialmente hoje, quando muitos países europeus e os EUA observam a Segunda-feira de Páscoa (com importantes centros financeiros fechados).
De modo geral, os participantes do mercado cambial (incluindo os traders de EUR/USD) estão em uma encruzilhada: se as negociações indiretas fracassarem, o dólar voltará a ser fortemente demandado como ativo de refúgio. Se as partes concordarem com uma trégua temporária, o apetite por risco aumentará, e os dados macroeconômicos voltarão ao centro das atenções.
Vale lembrar que, nesta semana, serão divulgados os dados finais do PIB dos EUA do quarto trimestre e indicadores-chave de inflação, o índice PCE núcleo e o CPI. Também serão publicadas as atas da reunião do Federal Reserve de março (na quarta-feira) e o PMI de serviços do ISM. Todos esses dados definirão o tom das negociações, mas apenas se os conflitos no Oriente Médio diminuírem. Por enquanto, o suspense continua; portanto, nas condições atuais, o mais prudente é pausar e ficar fora do mercado.