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O grupo de sete países da OPEP+, que controla os volumes de produção de petróleo desde o início de 2023, prepara-se para dar continuidade ao processo de aumento das cotas iniciado após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que desencadearam o recente conflito no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, os Emirados Árabes Unidos (EAU), após deixarem a OPEP, já iniciaram exportações em volumes recordes de petróleo bruto.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o grupo formado por Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão e Omã poderá aumentar as cotas de produção em 188 mil barris por dia em agosto. Esse acréscimo sucede um aumento semelhante implementado em julho, que, ao contrário das tentativas anteriores, tem maior probabilidade de ser efetivamente colocado em prática.
Desde o início das hostilidades, a OPEP+ anunciou repetidamente sua intenção de elevar a produção. No entanto, esses planos permaneceram apenas no papel, já que os combates no Golfo e a decisão do Irã de fechar o Estreito de Ormuz paralisaram a produção regional. Isso obrigou os produtores da região a concentrar esforços no armazenamento de petróleo e, posteriormente, até mesmo no fechamento de poços. O Iraque foi um dos países mais afetados, vendo sua produção cair de mais de 4 milhões para menos de 2 milhões de barris por dia.
As decisões recentes de ampliar a produção parecem ter como objetivo tranquilizar os traders e demonstrar que os países do Golfo estão preparados para aumentar a oferta à medida que a situação se normaliza. Produtores como Rússia e Cazaquistão, que não foram diretamente afetados pelo fechamento do Estreito de Ormuz, também pretendem elevar a produção para compensar o déficit de petróleo proveniente do Oriente Médio.
Embora os Emirados Árabes Unidos tenham deixado a OPEP, optando por atuar de forma independente após seis décadas de participação na organização, essa decisão alimentou previsões de um aumento imediato de sua produção. Atualmente, o país concentra seus esforços principalmente em expandir significativamente suas exportações.
Na semana passada, a Reuters informou novamente que, em junho, os Emirados exportaram um volume recorde de petróleo bruto, com média de 3,7 milhões de barris por dia, segundo dados da Kpler. Analistas da Vortexa estimam que as exportações tenham sido ainda maiores, alcançando até 4 milhões de barris por dia no mês passado.
"O aumento das exportações pode ser explicado por diversos fatores, entre eles a retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz, que permitiu liberar embarcações que estavam retidas", afirmou Johannes Rauball, analista sênior da Kpler, em entrevista à Reuters. "Ao mesmo tempo, observamos um aumento nas remessas dos Emirados Árabes Unidos; segundo nossas estimativas, elas já estão próximas dos níveis registrados antes da guerra", acrescentou.
No entanto, o analista da Kpler ressaltou que esses volumes recordes são parcialmente sustentados pelo petróleo acumulado em tanques durante os cinco meses de conflito. Isso significa que, à medida que esses estoques forem consumidos e antes que a produção efetivamente aumente, os volumes de oferta poderão voltar a diminuir.
Essa situação reacende uma questão debatida por especialistas há pelo menos cinco anos: a OPEP perdeu sua influência?
Pelas declarações recentes do Cazaquistão, que afirmou não ter planos de deixar a OPEP+, e pela rápida desistência do Iraque de abandonar a organização para aumentar sua produção, a resposta, por enquanto, continua sendo não. Ainda assim, é inegável que parte da influência da OPEP sobre o mercado global de petróleo diminuiu significativamente, principalmente devido aos Estados Unidos terem se tornado o maior produtor mundial de petróleo.
Curiosamente, a decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar a OPEP ocorreu em um contexto de forte concorrência dos EUA, que conseguem elevar rapidamente sua produção, como demonstrado pelo recorde alcançado em maio, de quase 14 milhões de barris por dia.
Esse cenário mantém uma pressão constante sobre os preços do petróleo, algo desfavorável para todos os produtores — sejam os Estados Unidos, os Emirados Árabes Unidos ou a própria OPEP+. As cotações internacionais já retornaram aos níveis anteriores ao conflito, impulsionadas pela produção recorde norte-americana e pelas notícias sobre a normalização do tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.
Do ponto de vista técnico, o petróleo continua sendo negociado abaixo da importante média móvel simples de 200 dias (SMA de 200 períodos). Os osciladores permanecem em território negativo, confirmando a vantagem dos vendedores. No entanto, vale destacar que o Índice de Força Relativa (RSI) entrou periodicamente em região de sobrevenda nos últimos dias, sugerindo uma consolidação da tendência de baixa ou um movimento corretivo.
Ainda assim, qualquer recuperação tende a encontrar resistência justamente na SMA de 200 dias, criando uma nova oportunidade para abertura de posições vendidas. Caso os preços consigam superar essa média, os compradores poderão ganhar espaço para estender o movimento de alta.