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À medida que se come, o apetite aumenta, mas a confiança do mercado pode evaporar assim que os investidores olham ao redor. O repique das ações dos EUA após o feriado mostrou que a aposta em IA ainda desperta interesse: Intel e Micron estiveram entre os destaques, enquanto a atenção do mercado se volta para os resultados da Samsung e para a planejada IPO de US$ 29 bilhões da SK Hynix nos Estados Unidos — uma das maiores estreias em bolsa da história.
Por baixo da superfície, porém, uma mudança de guarda está em curso. O Philadelphia Semiconductor Index acumula queda de quase 14% em relação às máximas de junho, embora ainda esteja cerca de 123% acima dos níveis de setembro. O Morgan Stanley argumenta que o momentum das fabricantes de chips está perdendo força à medida que os investidores realocam capital para os hyperscalers — como Microsoft, Amazon e Meta Platforms —, empresas cujo apelo se apoia em negócios principais resilientes. O banco acredita que os índices terão dificuldade para renovar máximas enquanto o mercado reduz exposição às operações vencedoras mais populares do ano.
Dinâmica dos índices de chips e hiperescaladores
Essa rotação está ocorrendo em um mercado que, de modo geral, permanece enfraquecido. Segundo o Goldman Sachs, os fundos de hedge foram vendedores líquidos de ações globais pela terceira semana consecutiva. O setor de tecnologia da informação vem absorvendo a maior parte das perdas, prolongando o recuo após o desmonte mais rápido, em uma década, das posições especulativas no segmento. O S&P 500 já recuou em relação ao pico registrado no início de junho.
O UBS acredita que os investidores exigirão confirmação de que os investimentos em infraestrutura de IA (capex) continuam no rumo previsto. Quaisquer sinais de cautela por parte das empresas poderão pressionar as avaliações, afetar as necessidades de financiamento e voltar a expor o risco de concentração do mercado.
A questão central não é apenas se os múltiplos atuais estão elevados em relação aos padrões históricos, mas se os lucros futuros das empresas serão capazes de justificar o otimismo atual.
A política monetária também contribui para a apreensão. O diretor do Federal Reserve, Christopher Waller, afirmou que os riscos se inverteram: agora, a inflação preocupa mais o banco central do que o mercado de trabalho. Os investidores aguardam com grande interesse a divulgação da ata da reunião de junho do FOMC, já sob a presidência de Kevin Warsh, embora os analistas alertem para não esperar mudanças significativas de tom. Warsh, que defende que o Fed deve falar menos e agir mais, limitou o comunicado que acompanhou a decisão a apenas 132 palavras.
Trata-se de uma bolha? Mais provavelmente, o mercado simplesmente esqueceu como viver sem a IA e procura argumentos para se convencer de que a escassez de hoje garantirá a abundância de amanhã.
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário mostra que o S&P 500 consolidou-se acima do valor justo em 7.500, o que permitiu a retomada das compras. O rompimento de uma nova máxima local em 7.555 serviria como gatilho para ampliar posições de compras. Os alvos iniciais de alta situam-se em 7.700 e 7.840.