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O par GBP/USD apresentou um movimento relativamente tranquilo nesta semana, claramente à espera dos relatórios mais importantes, divulgados hoje. Esses dados praticamente encerraram o debate sobre uma possível alta de juros pelo FOMC em setembro.
O indicador de folha de pagamento não agrícola (Nonfarm Payrolls – NFP) caiu pelo quarto mês consecutivo. Desta vez, porém, além de registrar um nível muito baixo, entrou em território negativo. Em outras palavras, o número de empregos na economia dos EUA não está mais apenas crescendo em ritmo muito lento — ele está diminuindo.
Uma situação semelhante ocorreu em algumas ocasiões no ano passado e, naquela época, o Federal Reserve (Fed) precisou reduzir os juros três vezes para evitar uma contração ainda maior do mercado de trabalho. Nas últimas semanas, o mercado vinha especulando intensamente que a inflação elevada obrigaria o Fed a aumentar as taxas de juros. Kevin Warsh também destacou que a inflação permanece excessivamente alta e precisa retornar rapidamente à meta.
No entanto, como eu esperava, a inflação não é o único fator relevante. Diante do resultado atual do Nonfarm Payrolls, já não espero um novo aperto da política monetária. Para o dólar americano, isso representa um golpe significativo.
Como já mencionei, a geopolítica deixou de favorecer o dólar, já que novas escaladas do conflito ocorrem aproximadamente a cada duas semanas, sem apresentar diferenças relevantes em relação às anteriores.
Segundo algumas fontes, as negociações entre Teerã e Washington continuam; segundo outras, estão suspensas; e, de acordo com diferentes relatos, fracassaram completamente. Oficialmente, Teerã nega negociar diretamente com os Estados Unidos, mas continua mantendo conversas por meio de intermediários, especialmente Omã.
Ainda não está claro a que essas negociações poderão levar em termos de encerramento do conflito e de reabertura do Estreito de Ormuz. O Irã pode até chegar a um acordo com Omã sobre os termos de controle do estreito, mas isso, por si só, dificilmente resolveria o conflito com os Estados Unidos.
Na semana passada, o petróleo chegou a US$ 100 por barril; nesta semana, porém, recuou para cerca de US$ 81. Se a situação evoluir de acordo com o cenário mais pessimista, os preços voltarão a subir e poderão testar novamente as máximas registradas entre março e maio. Nesse caso, a inflação nos Estados Unidos e no Reino Unido voltará a acelerar.
Se prevalecer o cenário mais otimista, os preços do petróleo poderão retornar à faixa de US$ 60–70 por barril. Nesse contexto, um aperto monetário pelo Fed poderá deixar de ser necessário, enquanto o Banco da Inglaterra (BoE) já não enfrenta o problema de uma inflação persistentemente elevada.
No momento, porém, é o Fed que hesita em adotar uma postura hawkish — embora, na visão do autor, isso ainda seja necessário. Já o Banco da Inglaterra só deverá voltar a apertar a política monetária se a inflação voltar a acelerar, algo que, por enquanto, não apresenta sinais de ocorrer.
A análise gráfica aponta para um novo avanço dos touros. Atualmente, os traders contam com dois desequilíbrios altistas (24 e 25), dentro dos quais posições compradas podem ser consideradas.
O desequilíbrio 24 gerou um sinal de compra já na última sexta-feira, quando os traders poderiam ter aberto posições compradas. Na segunda-feira, o preço voltou a esse padrão e reagiu novamente a partir dele. Nenhum padrão baixista foi formado e, diante da alta registrada hoje, outro desequilíbrio altista poderá surgir já na próxima segunda-feira.
O cenário macroeconômico de sexta-feira exerceu forte pressão sobre o dólar e obrigou os ursos a recuar. Na prática, não há necessidade de analisar detalhadamente os três indicadores divulgados, pois o mais importante deles — o Nonfarm Payrolls (NFP) — foi uma grande decepção.
Após a divulgação desse relatório, os traders passaram a dar muito menos importância ao crescimento dos salários e à taxa de desemprego.
O cenário fundamental continua indicando que, no longo prazo, espero apenas uma desvalorização do dólar americano.
A guerra entre Irã e Estados Unidos não alterou essa perspectiva. A possibilidade de uma alta de juros pelo Fed em 2026 também não mudou esse cenário. Os acontecimentos geopolíticos apenas fizeram o mercado voltar a enxergar o dólar como ativo de proteção durante alguns meses, mas o conflito já passou por sua fase mais intensa.
O Fed ainda pretende elevar os juros em 2026, o que, em tese, é positivo para o dólar. No entanto, não se deve esquecer que um aperto monetário tende a desacelerar a economia e o mercado de trabalho. Além disso, Kevin Warsh foi escolhido por Donald Trump para presidir o Fed justamente com a expectativa de conduzir uma política monetária mais branda — algo que, na visão do autor, Jerome Powell não conseguiu entregar.
Por isso, entendo que qualquer valorização do dólar deverá ser temporária e impulsionada principalmente por fatores de curto prazo.
Calendário econômico dos EUA e do Reino Unido
Em 10 de agosto, o calendário econômico não traz divulgações relevantes. Assim, o noticiário macroeconômico não deverá influenciar o sentimento dos mercados na segunda-feira.
Previsão e dicas de negociação para o GBP/USD:
A perspectiva de longo prazo para a libra permanece otimista. Após a absorção da liquidez nas duas mínimas oscilatórias mais recentes, os compradores iniciaram um movimento de alta, seguido por uma retração corretiva e uma nova onda de valorização. Na próxima semana, espero que a libra continue avançando, já que os relatórios sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos foram uma grande decepção e a probabilidade de um aperto da política monetária pelo FOMC agora é extremamente baixa.
Na próxima semana também será divulgado um relatório de inflação, mas, neste momento, a política monetária do FOMC já não depende exclusivamente desse indicador. Se os vendedores lançarem uma nova ofensiva, será necessária a formação de padrões baixistas para justificar posições vendidas, mas, por enquanto, não há nenhum sinal nesse sentido.
Os compradores receberam um novo sinal de compra a partir do desequilíbrio 24. As metas atuais de alta para a libra correspondem às máximas de 15 de julho e 1º de maio, em 1,3557 e 1,3656, respectivamente. Além disso, um novo padrão altista poderá se formar já na segunda-feira.