Os Emirados Árabes Unidos consideram adoção do yuan nas liquidações comerciais devido à escassez de dólares
Os Emirados Árabes Unidos solicitaram garantias financeiras a Washington sob a forma de uma linha de swap em dólares, ameaçando passar a utilizar o yuan chinês na liquidação do comércio de petróleo caso o pedido seja recusado. Abu Dhabi procura proteger a economia nacional da escassez de liquidez causada pelo prolongado conflito militar com o Irão, bem como do risco de erosão das suas reservas em moeda estrangeira.
O presidente do banco central dos Emirados Árabes Unidos, Khaled Mohamed Balama, propôs ao secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, a criação de uma linha de crédito de emergência para evitar a saída de investidores da região. Autoridades emiradenses alertaram os seus homólogos norte-americanos de que estão dispostas a recorrer ao yuan chinês nas transações de exportação caso a disponibilidade de dólares sofra reduções significativas. Por sua vez, responsáveis do Federal Reserve manifestaram ceticismo quanto à necessidade desse mecanismo, argumentando que não existem riscos sistémicos relevantes para o sistema financeiro dos EUA.
A moeda nacional dos Emirados Árabes Unidos mantém-se indexada ao dólar americano, sustentada por reservas de cerca de US$ 270 mil milhões. No entanto, os ataques recorrentes à infraestrutura representam um risco para a estabilidade no longo prazo. O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos registou mais de 2.800 lançamentos de mísseis e drones iranianos contra países do Golfo desde o início da escalada. Para mitigar as necessidades de financiamento, Abu Dhabi já captou cerca de US$ 4 mil milhões através de uma emissão de obrigações estruturada com o apoio do Goldman Sachs.
Durante uma reunião com o FMI, o ministro das Finanças da Arábia Saudita, Mohammed Al-Jadaan, afastou a possibilidade de uma recuperação rápida do setor energético regional. Segundo o responsável, a normalização da logística do petróleo deverá levar tempo, pelo menos até ao final de junho. O forte choque de oferta, aliado à incerteza geopolítica, está a levar os principais exportadores de petróleo a procurar novos mecanismos para proteger os seus ativos e diversificar os riscos cambiais.