Primeiro-ministro britânico Burnham rejeita financiar a agenda de Trump
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, manifestou disposição para enfrentar abertamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na defesa dos interesses nacionais britânicos. Suas declarações ocorrem em um contexto de agravamento dos prejuízos econômicos para o Reino Unido decorrentes da escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irã.
Em sua primeira grande entrevista à BBC desde que assumiu o cargo, Burnham descreveu sua conversa inicial com o presidente americano como "muito cordial" e uma "boa troca de ideias". No entanto, o primeiro-ministro britânico evitou responder diretamente, por duas vezes, se confia no presidente dos Estados Unidos. "O mundo está mudando", concluiu Burnham, acrescentando que Londres não pretende seguir cegamente a agenda de política externa dos EUA.
Um dos principais fatores por trás do esfriamento das relações é o impacto macroeconômico das tensões no Oriente Médio. Segundo Burnham, o conflito com o Irã provocou uma forte alta dos preços do petróleo, aumentando imediatamente os riscos de inflação no Reino Unido e elevando os custos de financiamento do governo no mercado de títulos.
O desejo de se distanciar de Washington, contudo, esbarra em desafios fiscais internos. Em meio às discussões sobre segurança nacional, Burnham recusou-se a confirmar o compromisso de elevar os gastos com defesa do Reino Unido para 3% do PIB até 2030. Essa meta continua sendo um tema politicamente controverso: divergências anteriores sobre o cronograma para alcançá-la levaram à renúncia de John Healey ao cargo de ministro da Defesa no governo de Keir Starmer.
Burnham enfatizou que a prioridade do governo será garantir o financiamento integral dos atuais programas de defesa dentro dos limites orçamentários existentes. Qualquer ampliação do orçamento militar, cuja discussão está prevista para o fim do ano, enfrentará forte concorrência dos gastos sociais, em um contexto de espaço fiscal extremamente limitado.
O primeiro-ministro também descartou a possibilidade de convocar eleições parlamentares antecipadas, previstas para 2029. Segundo ele, o governo concentrará seus esforços na estabilização da economia e na implementação de sua agenda, em vez de buscar um novo mandato nas urnas.