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30.07.2026 10:52 PM
O pior início de ano da última década: os bancos centrais compraram apenas 57 toneladas de ouro no primeiro trimestre

Enquanto o ouro continua apresentando forte volatilidade, à medida que o mercado assimila a decisão de juros do Federal Reserve anunciada ontem, os bancos centrais globais compraram apenas 57 toneladas de ouro no primeiro trimestre deste ano, volume 187 toneladas inferior ao anteriormente estimado. Segundo relatório do Conselho Mundial do Ouro (World Gold Council) divulgado na quinta-feira, esse foi o início de ano mais fraco em mais de uma década, e a revisão para baixo dos dados sugere que o ritmo geral de compras neste ano provavelmente ficará abaixo do registrado em 2025.

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A importância dessa revisão não pode ser subestimada, pois a estimativa inicial reforçava a narrativa dos otimistas, que defendiam que os compradores institucionais — um dos principais fatores por trás da alta do ouro ao longo dos últimos anos — estavam retornando ao mercado em grande escala para comprar o metal após sua queda em relação às máximas históricas. Vale destacar que, desde o início da guerra com o Irã, no fim de fevereiro, o ouro perdeu cerca de um quarto de seu valor, à medida que a alta dos preços da energia intensificou as preocupações com a inflação e reduziu as expectativas de flexibilização da política monetária. A revisão para baixo dos dados enfraquece parte dessa narrativa otimista.

Também é importante considerar as nuances metodológicas dessas estimativas. Uma parcela significativa das compras realizadas pelos bancos centrais, refletidas nas estatísticas do Conselho Mundial do Ouro (WGC), não é divulgada oficialmente. A consultoria Metals Focus estima os volumes de compras em nome do conselho com base em uma combinação de dados públicos, estatísticas comerciais e pesquisas, o que significa que esses números — assim como suas revisões — inevitavelmente incorporam um componente de estimativa, e não uma contagem exata.

Ainda assim, apesar de um primeiro trimestre fraco, a demanda dos bancos centrais se recuperou de forma expressiva no segundo trimestre, totalizando 289 toneladas — um recorde para esse período do ano. O maior comprador foi a Polônia, que adquiriu 51 toneladas, elevando suas compras no primeiro semestre para 82 toneladas e superando a China, tradicional líder das aquisições nos últimos anos, que comprou 33 toneladas no trimestre.

Em meio a esses dados estruturais sobre a demanda dos bancos centrais, o ouro continua apresentando um comportamento previsível dentro da faixa estabelecida. Após recuar em relação ao recorde alcançado em janeiro, em meio às preocupações com uma política monetária mais restritiva, o metal vem encontrando suporte próximo de US$ 4.000 por onça desde o fim de junho, com os investidores continuando a comprar nas quedas próximas desse nível.

Miroslaw Bawulski,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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