A produção da OPEP cai para o nível mais baixo em 37 anos, à medida que o bloqueio marítimo dos EUA afeta os embarques iranianos
Em maio, a produção conjunta de petróleo da OPEP recuou ao menor nível dos últimos 37 anos. De acordo com uma pesquisa setorial da Bloomberg, a forte queda da oferta foi provocada pelo bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos ao Irã e pelas amplas interrupções logísticas no Golfo Pérsico.
A produção dos 11 atuais membros da organização caiu 1,22 milhão de barris por dia, para 16,33 milhões de barris diários. O levantamento já não inclui os dados dos Emirados Árabes Unidos, que deixaram oficialmente o cartel no mês passado após seis décadas de participação.
O principal impacto recaiu sobre o Irã, responsável por cerca de metade da redução total registrada pela OPEP. A guerra em larga escala envolvendo a aliança entre Estados Unidos e Israel e Teerã praticamente paralisou o transporte marítimo através do estratégico Estreito de Ormuz. Como consequência, Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e os já desligados Emirados Árabes Unidos foram obrigados a reduzir sua produção de forma emergencial.
A situação se agravou após o Comando Central dos EUA impor, em meados de abril, um bloqueio total aos portos iranianos, redirecionando 127 embarcações comerciais e interrompendo parte significativa do tráfego marítimo na região. Com isso, a produção iraniana despencou 710 mil barris por dia, para 2,34 milhões de barris diários, o menor nível dos últimos cinco anos.
O Kuwait registrou a segunda maior queda, com a produção recuando 310 mil barris por dia, para apenas 490 mil barris diários — menos de um quinto do volume registrado antes do início do conflito. A líder da OPEP, Arábia Saudita, reduziu sua oferta em 240 mil barris por dia, para 6,57 milhões de barris diários.
Em contrapartida, a produção dos Emirados Árabes Unidos aumentou 300 mil barris por dia em maio, alcançando 2,44 milhões de barris diários.
Apesar da queda efetiva da produção causada pela guerra, a OPEP+ continua avançando com seu plano de recomposição gradual das cotas. Os delegados esperam aprovar, durante uma videoconferência neste domingo, um aumento de 188 mil barris por dia nas cotas de julho, com ajustes semelhantes previstos para agosto e setembro.